Ideal Clube

Luto: comunicamos o falecimento do nosso Diretor de Cultura e Arte, José Telles

Publicado em 02.06.2016

O Ideal Clube está em luto. É com imensa tristeza que a Diretoria e os Conselhos idealinos comunicam o falecimento do nosso Diretor de Cultura e Arte, JOSÉ TELLES, nesta tarde de quinta-feira, 2 de junho. Que Deus conforte a família do nosso querido irmão. O velório será nesta quinta-feira, a partir das 20h, no Complexo Velatório Ethernus (Rua Padre Valdevino, 1688 - Aldeota) e na sexta-feira, às 8h, na Academia Cearense de Letras.

José Telles nasceu 12 de março de 1943, um praiano da vila Bitupitá, entre duas dunas semoventes e manguezais movediços. Desde cedo soube que as vírgulas respiram, os pontos calam, os apostos se declaram. Por esse e outros vieses soube ser herdeiro de fragmentos hipocráticos legendados na mitológica ilha de Cós. E mais, entre o sonho e o mito, soube cortejar as temíveis Parcas (Cloto, Láquesis e Átropo) para ter vida longa e um dia ser amante da poesia. Bitupitá era uma saudade exposta do jeito que o gosto gosta e onde sua insônia se debruçava em uma infância amorenada e doce. "É a vila por onde aporto, esteja vivo, esteja morto", dizia o poeta.

Certa vez, em uma entrevista, foi-lhe perguntado o que era a vida, Telles disse: 
"Ah, vida! As vezes penso que somos pobres buscadores do absoluto, mas me contenho. Minha postura hipercinética, vez outra, dentro da dúvida é meu jeito de viver. Sou apaixonado por amigos e gosto de servir, apouca-me ser o favorecido, apraz-me a doação. Ora, já somos donos da mais bela matriz da natureza – a vida. Frui-la é mister. Deixe a vida invadir seu corpo, sua alma, seu nexo, seu sexo. Não necessitamos de uma saúde bíblica, gastemo-la com pequenas poções de prósperos pecados. Pense! Em nossas introspecções, descubramos a vida que há no silêncio, na porta que espia nossa nudez de boca aberta, no por do sol que se repete intenso à nossa indiferença, no gesto da mulher amada, ou na lágrima que invade de amores a pupila apaixonada. Ponha tudo isso à mesa, e sirva-se de saudade, amor e vida."